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ações melatonina no intestino

Quais as funções da melatonina? Tem no intestino? Como assim?

A melatonina é conhecida como o hormônio que nos induz ao sono e que é produzida somente durante a noite pela glândula pineal lá no nosso cérebro. Ela é produzida lá e liberada na corrente sanguínea e é ela que vai explicar para o seu corpo se é dia ou noite.

E são esses ritmos da melatonina circulante que vão modular a ritmicidade de funcionamento das células do nosso corpo. Por isso, ela é famosa na regulação de vários dos nossos processos fisiológicos. Pois é… a melatonina não serve só para te fazer dormir

Lindo, né?

Sabia que além de contar para as suas células se está de dia ou de noite, a melatonina é também conhecida por ser um antioxidante poderosíssimo, sendo capaz de lutar contra radicais livres que podem levar a morte celular. Ou seja, a melatonina trabalha como uma vassoura mandando para longe os radicais livres e mantendo a saúde das células.

Sabia também que a melatonina é produzida também em outros tecidos? Sim, é verdade!

Sabendo dessa função tão importante de proteção das células fica fácil entender que tecidos que sofrem agressões todo dia o tempo todo, teoricamente produzem melatonina para sua própria proteção. E tem mais, nesses tecidos a melatonina é produzida em quantidades bem maiores que na própria pineal.

Esses tecidos são a pele e o intestino!

A melatonina protege a mucosa intestinal

Além de ser um sinal que dita o ritmo da nossa fisiologia e ser um poderoso antioxidante, a melatonina é também uma molécula que atravessa facilmente qualquer barreira biológica.

Isso é essencial para exercer a sua função antioxidante!

Imagine, o intestino é um tubo oco por onde tudo que comemos passa. Esse tubo tem um exército que protege as mucosas do intestino e esse exército é super seletivo, pois ali, tudo que comemos e foi quebrado em moléculas menores é absorvido para ser usado pelas nossas células. A melatonina ajuda esse exército da salvação através da sua função antioxidante!

A liberação de melatonina produzida no intestino tem um ritmo diferente do ritmo da melatonina produzida pela glândula pineal. Lá ela é produzida seguindo a periodicidade do consumo alimentar.

Outro detalhe é que essa periodicidade da produção de melatonina no intestino é particularmente influenciada quando consumimos alimentos ricos no aminoácido triptofano que é essencial na produção de melatonina (já que o triptofano é precursor da melatonina, ou seja, não existe melatonina sem triptofano).

O triptofano vira serotonina que vira, finalmente melatonina! A concentração de melatonina no intestino é 100 vezes maior que na circulação sanguínea e (pasme) 400 vezes maior que na própria glândula pineal.

A melatonina presente no trato gastrintestinal de recém-nascidos tem origem materna. Essa melatonina atravessa a placenta e depois é fornecida ao bebê através do leite materno. Existem trabalhos que afirmam a melatonina está envolvida até mesmo na produção do mecônio (as primeiras fezes do bebê).

E não é só isso! Tema mais funções da melatonina

A melatonina pode estar relacionada também ao transporte de eletrólitos e íons, levando ao aumento de água nas fezes. E tem mais: a melatonina age na contração da musculatura lisa influenciando na motilidade intestinal.

Como te contei anteriormente, melatonina é produzida a partir da serotonina. A serotonina acelera o trânsito intestinal. Quando a serotonina se transforma em melatonina, o trânsito intestinal se torna mais lento, facilitando a digestão e absorção dos nutrientes.

Vários estudos já demonstraram que o tratamento com melatonina pode ter um papel protetor contra úlceras gástricas. A proteção contra lesões induzidas pelo estresse pode ser devida a uma forte ação antioxidante da melatonina e à restauração da microcirculação no local.

Parece que ela tem também uma ação na prevenção e tratamento de Colite Ulcerativa por estimular o sistema imune. Outro estudo demonstrou que o tratamento com melatonina melhorou sintomas da Sindrome do Intestino Irritável (SII).

Porém esses dados ainda são preliminares e foram obtidos em animais de experimentação. Espero em breve poder trazer mais novidades sobre isso pra você.

Entretanto, investigações ainda devem ser feitas para avaliar se tais ações são atribuídas à melatonina produzida no próprio intestino e/ou pela suplementação desse hormônio.

Ao longo de décadas, a melatonina foi promovida como uma “cura mágica” para o tratamento ou prevenção de vários distúrbios fisiológicos que vão desde o envelhecimento, depressão, hipertensão, imunidade suprimida ao estresse oxidativo, insônia ao jet lag.

Porém, é inevitável dizer e eu sempre bato nessa tecla! A melatonina não é balinha! É um hormônio e tem efeitos em vários processos fisiológicos! A suplementação desse hormônio deve sempre ser feita com acompanhamento de um profissional qualificado!

Rosana Dantas é nutricionista, mestre e doutora em Fisiologia Humana pela Universidade de São Paulo, com pós-doutorado em Neurobiologia dos ritmos circadianos pela Universidade Louis Pasteur na França.

É autora do livro “A melatonina não serve só para te fazer dormir” e de um projeto de divulgação científica, o Dieta Científica, onde explica numa linguagem simples e divertida como nosso corpo funciona. Acredita que informação de qualidade não deve ficar restrita aos altos escalões do mundo científico e que todo mundo tem direito a ter acesso a essas informações. Então resolveu criar essa ponte que liga as pessoas às pesquisas científicas mais atuais, afinal informações sobre Nutrição e Metabolismo mudam o tempo todo… e isso é maravilhoso!

Se você gostou dessa leitura sobre as outras funções da melatonina, provavelmente vai gostar destas aqui que separei para você:

Referências:

  1. Gut melatonin in vertebrates: chronobiology and physiology
  2. Melatonin: Pharmacology, Functions and Therapeutic Benefits
  • Oi Rosana, tudo bem? Li sei artigo e achei muito interessante. Gostaria de te fazer uma pergunta e saber a sua opinião sobre meu caso. Eu, fiz uma cirurgia bariátrica há 6 anos. Após 2 anos de cirurgia venho enfrentado um quadro de insônia severa. Meus médicos me passaram o Zolpidem para dormir, a medicação promete um sono de até 4h e raramente consigo isso, além de ficar com dor de cabeça, mal humor e muito lesada no dia seguinte. Venho cogitando em me consultar com meus médicos pra uma possível reversão da cirurgia porque não consigo mais viver dessa forma, sem conseguir dormir, e além da minha deficiência vitamina ser muito alta, porém, controlada com medicação. Você acha que a cirurgia pode ser o fator responsável pela perca do meu sono? Antes de operar tinha meu sono regulado e perfeito, como li no seu artigo, grande parte da produção da melatonina está relacionada ao nosso intestino e cerca de 1/3 do meu, não está mais em funcionamento.

    • Olá Natália, como vai?
      Poxa, que situação! Nesse caso, o melhor a se fazer é procurar um médico para que ele avalie seu caso. Apenas em uma consulta presencial e com um acompanhamento é possível entender o que está acontecendo contigo. 😉
      Nada substitui uma consulta com o médico.
      Um abraço,
      Nathália – Equipe Sophie

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