Você abre a geladeira, procura, procura, procura, e não acha nada – apesar de ela estar cheia de opções! Não é que você esteja com a barriga vazia, mas sente vontade de comer alguma coisa. Se identificou? Pois saiba que isso é bem comum e pode ser a tal da fome psicológica.

Já ouviu falar nessa expressão? Pois bem, vamos por partes – já digo de antemão que ela não é grave, nem errada, nem a grande causadora da obesidade mundial. Sentir fome psicológica é algo absolutamente normal!

Sempre digo que o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos!

Quero ajudá-lo a entender o que é este conceito, e também reforçar que a fome não é sempre fisiológica. Às vezes ela pode se manifestar simplesmente por alguma razão psicológica ou comportamental.

Pode ter a ver com o momento que estamos vivendo, com o nosso meio ambiente, com as pessoas que nos cercam, nosso nível de estresse e diversos outros fatores. Por isso é importante entender muito bem quais são os tipos de fome que existem para que você saiba fazer a distinção entre elas.

Dessa forma, vai ficar bem mais fácil lidar com suas sensações e com as necessidades do seu corpo. Com tranquilidade e sem culpa. Vamos lá?

Fome psicológica x fome fisiológica

Sugiro começarmos pela a fome fisiológica. É a fome física, estou falando do sinal que o corpo manda quando precisa comer para sobreviver, comer nutrientes para realizar suas funções vitais.

Aparece em diversas formas como, por exemplo, aquela dorzinha chata no estômago, tontura, dor de cabeça, irritação… Você sabe, instintivamente, que precisa comer alguma coisa senão o seu corpo vai “pifar” ou você vai virar bicho!

Já a fome psicológica não tem a ver com as nossas necessidades fisiológicas, e sim, com nosso estado mental. Dentro dela, existem algumas subdivisões que estão sendo estudadas. Acredite: existem muitos tipos de fome!

Mas hoje vou falar dos três tipos de fome psicológica mais comuns, que são a fome emocional, a fome social e a vontade. Vamos entender um pouco mais sobre cada uma delas.

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Vontade

Diferente da fome fisiológica, a vontade aparece mesmo se você não estiver com fome. Quer um exemplo? Você liga a televisão e se depara com um bolo de cenoura em um programa qualquer. Imediatamente, se lembra do bolinho de infância, que a sua avó fazia especialmente para você.

Você pode ter acabado de tomar café da manhã, estar plenamente saciado, mas sempre tem um buraquinho para a vontade de comer. E se não comer naquela hora, provavelmente vai ficar pensando no bolo o dia todo.

A vontade é algo bem específico, ou seja, você sabe exatamente o que quer. Sabe claramente qual sabor quer sentir. E, neste caso, minha recomendação é: satisfaça-a! Porque vontade não assumida pode virar compulsão.

Sabe aquela coisa de tentar ter “força de vontade” para resistir a alguma coisa? Provavelmente este desejo só vai se acumular e voltar de forma mais acentuada mais tarde. Por isso, resolva sua vontade, com prazer, moderação e sem culpa. É melhor do que comer de forma exagerada depois.

Fome social

A fome social é a que sentimos quando estamos em momento de festas, confraternizações, reuniões com amigos e familiares. É aquele sentimento de compartilhar o alimento, de jogar conversa fora enquanto se come e bebe coisas gostosas.

Você pode até não estar com fome, mas certamente vai acabar comendo, porque é instintivo, o ser humano sempre celebrou em torno da comida. Uma coisa importante de se falar é que, nesses momentos, é normal exagerar.

Com frequência as pessoas pensam: mas se eu não estava com fome, por que comi tanto? Não se culpe: o exagero nestes casos é compreensível. Mas quanto mais consciente você estiver sobre as necessidades do seu corpo, menor a chance de extrapolar e também depois você vai demorar para sentir fome de novo..

Não precisa contar cada caloria que come, mas é interessante tentar encontrar o caminho do meio: pode comer coisas diferentes, experimentar novos sabores. O nosso paladar adora novidades! Lembre de viver esses momentos sendo mais consciente e menos distraído.

Mas sem gula, e também tendo a consciência que estes momentos são eventuais e que, ao longo da semana, a alimentação deve retomar seu curso normal.

Fome emocional

Deixei esta por último porque é a mais complexa. A fome emocional aparece nos momentos em que achamos que precisamos nos recompensar com comida por algo que abalou o nosso estado emocional. Exemplos: um dia muito cansativo no trabalho, excesso de trânsito, briga com alguém querido, desânimo em alguma etapa da vida, tristeza, vazio.

É aí que entra aquela clássica frase: “eu mereço”. Você acredita que realmente precisa comer algo muito gostoso para tentar resolver essa angústia interna. O problema é que o cérebro é esperto, e sabe que a recompensa é maior com a combinação de açúcar e gordura.

Por isso a primeira coisa que você pensa é em alimentos ricos nessa combinação: chocolate, bolo, bolacha, pão com manteiga, produtos ultraprocessados… ou você já pensou em se recompensar com brócolis?

A fome emocional é problemática porque é ela que faz as pessoas terem uma relação errada com a comida. Você come por outros motivos que fome ou vontade, você come porque está triste ou cansado ou ansioso ou…com sede… O ideal seria buscar ajuda para encontrar a raíz deste problema.

A tristeza, a irritação ou a angústia não vão embora se você comer uma barra de chocolate. Ele pode até trazer uma euforia momentânea, mas não seria mais adequado curar estes sentimentos negativos procurando a origem deles? E deixar para comer este chocolate em um momento feliz e em paz? Pense nisso.

Relação tranquila com a comida

Gostaria de terminar este artigo dizendo: não tenha medo da sua fome psicológica! O ato de comer é fisiológico e psicológico, e se você ficar focado somente em calorias e na quantidade das coisas que coloca no prato, pode estar negligenciando algo mais profundo e importante para sua saúde, que está dentro de você: o prazer de comer. Pode também estar abrindo mão de comer com prazer e sem culpa, por achar que só está “autorizado” a comer quando a barriga estiver roncando.

Eu sou a favor de uma relação mais tranquila com a comida, e é isso que diminui a obsessão por dietas. Que tal começar a prestar mais atenção em que tipo de fome está sentindo? Você tem fome de quê? Respeite-se e cuide-se, você é a melhor pessoa para saber o que precisa nesse momento. Que tal incluir essa pergunta no seu cardápio?

Bon appétit!

Veja mais:

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