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Mente gorda

Você tem uma mente gorda? Descubra e entenda melhor esta expressão

É comum ouvirmos expressões como “mente gorda”, “pensamento gordo” ou “cabeça de gordo” referindo-se a pessoas que relatam estar sempre pensando em comida, de forma descontrolada, de modo que mal começaram a comer e já imaginam o próximo prato ou refeição.

Por outro lado, também é comum o uso do termo “mente magra”, o que parece estar associado a comportamentos de controle da alimentação, que muitos acreditam ser a chave para a perda de peso.

Então, o que a expressão mente gorda quer realmente dizer? Vamos entender nas linhas abaixo!

O preconceito por de trás da palavra mente gorda

A mente diz respeito à nossa consciência e capacidade de pensar, envolvendo um complexo de processos e atividades que acontecem em nosso psiquismo que em geral são de caráter cognitivo. É a partir dos processos mentais que podemos perceber o mundo ao nosso redor, armazenar informações, interpretá-las e produzir conhecimento.

Portanto, é importante deixar claro que “mente gorda” e “mente magra” são apenas expressões populares carregadas de julgamento, uma vez que “gorda” não parece um adjetivo coerente para qualificar a nossa mente.

Expressões como estas parecem, na verdade, reforçar preconceitos para com a obesidade, o que envolve crenças e atitudes repulsivas em relação ao indivíduo visto como “gordo”.

É o que o antropólogo Claude Fischler denomina “lipofobia”, algo muito característico da sociedade contemporânea e diferente de tudo o que se conhece do passado, quando os corpos mais robustos eram vistos como sinal de prosperidade.

Já nos dias de hoje nós desejamos um corpo absolutamente livre de toda marca de adiposidade e depreciamos a gorduras, isto aliado à mídia e aos padrões sociais de beleza que nos pressionam a buscar a magreza, construindo para isso julgamentos e valores morais sobre as pessoas gordas.

Assim, tendemos a adotar a atitude de evitar alimentos ricos em gorduras na busca por um corpo também livre delas. Quando na verdade a gordura, em quantidades moderadas é indispensável para a saúde do organismo, conforme explico no vídeo abaixo:

Para mais informações dê uma olhada neste artigo sobre os alimentos ricos em gorduras.  Em suma, essa “lipofobia” pode provocar uma relação conflituosa com o que se come.

A complexidade da alimentação e os processos mentais

Essa relação conflituosa impede que estejamos em paz com a comida! E apesar de ser ilógico falarmos em “mente gorda”, a alimentação é um fenômeno complexo influenciado por diversos fatores, e é inegável que os processos mentais influenciam a nossa alimentação.

Por isso, é extremamente importante cuidarmos da nossa saúde mental e identificarmos questões psicológicas e emocionais que podem influenciar no que comemos e na nossa relação com o corpo.

A mente, que envolve elementos emocionais e psicológicos é importante para o nosso bem estar biopsicossocial e pode influenciar as nossas escolhas alimentares, o processo de emagrecimento ou de ganho de peso, e o mais importante, a nossa saúde.

Comer é um ato complexo que envolve, entre outras coisas, questões culturais, sociais, biológicas, psicológicas, emocionais.

Apesar de sermos onívoros, ou seja, capazes de comer de tudo, só elegemos como comestíveis aqueles alimentos que fazem parte da nossa cultura. De modo que enquanto os franceses apreciam um tipo de caracol chamado escargot, os brasileiros podem achá-lo repugnante.

Do mesmo modo, cada situação social apresenta determinados alimentos adequados para aquele momento. Por exemplo, é comum no Brasil que seja oferecido no café da manhã pão com ovo frito, o que seria visto com estranheza se servido em momentos festivos nos quais é mais comum celebramos com outros tipos de alimentos: bolo de aniversário, churrasco, salgadinhos, etc.

Relacionados às questões socioculturais temos determinantes biológicos que influenciam as nossas escolhas alimentares. Comemos, nesse caso, para suprir o nosso corpo de nutrientes e energia importantes para o bom desenvolvimento do organismo. Para isso temos os processos fisiológicos de digestão e a regulação da nossa fome e saciedade a partir do hormônio da fome grelina. E da leptina também, o hormônio da saciedade.

E para além desses elementos temos fatores psicológicos e emocionais que em equilíbrio dizem respeito à saúde mental. É comum darmos muita atenção aos nutrientes e energia contidos nos alimentos e esquecermos destes outros fatores. Porém, do mesmo modo que necessitamos de substâncias e calorias para o bom desempenho do nosso corpo, necessitamos igualmente de alimentos que nutram nossa mente, gerem satisfação e prazer e alimentem nossos sentimentos.

Dessa forma, é necessário cultivarmos “uma mente sã em um corpo são” como nos ensinam os pensadores da Antiguidade, o que vai muito além de mentes e corpos magros ou gordos, e envolve fazermos as pazes com a comida e com nós mesmos.

Como identificar e tratar problemas emocionais e psicológicos relacionadas à alimentação

Não é fácil identificar quando questões emocionais e psicológicas estão nos trazendo problemas, quaisquer que sejam, inclusive alimentares. No entanto, em se tratando da alimentação podemos ficar atentos a alguns comportamentos:

  1. Restringir determinados grupos de alimentos e/ou calorias.
  2. Demonstrar muita preocupação com o que come.
  3. Contar calorias.
  4. Comer de forma compulsiva, em grandes quantidades e com pressa.
  5. Ter sentimentos de vergonha, culpa ou remorso após alimentar-se.
  6. Ocupar muito do seu tempo como pensamentos focados na alimentação e na imagem corporal.
  7. Baixar autoestima e insatisfação constante com o corpo.
  8. Fome Emocional (psicológica), o que diz respeito a comermos para nos recompensar por algo. Por exemplo: comer porque está cansado, triste, feliz, mesmo que não esteja com fome.

Na busca pela sintonia entre a mente, o corpo e a comida no intuito da prevenção da saúde é importante desenvolvermos uma atitude positiva com os alimentos e com nós mesmos. Para isso listo 6 dicas que você pode pôr em prática nesse caminho:

  • Permita-se comer de tudo e não faça dietas restritivas! É extremamente importante não nos sentirmos proibidos a comer algo, pois as restrições alimentares podem provocar desejo e compulsão por comida proibida.
  • Envolva-se totalmente na experiência de alimentar-se, saboreando os alimentos com todos os sentidos e sem interferências de outras atividades, como assistir televisão, usar o computador ou o telefone. Olha que entrevista bacana fiz com uma das maiores autoridades nesse tema de alimentação consciente:

  • Perceba os sinais de fome e saciedade procurando comer devagar e para suprir as necessidades fisiológicas.
  • Conheça o seu corpo e aprenda a identificar quando as emoções e sentimentos estiverem envolvidas no ato de comer.
  • Reflita sobre e evite o uso de expressões preconceituosas como “mente gorda”, “cabeça de gordo”, “pensamento de gordo” para se referir a você mesmo ou aos outros.
  • Pare de se pesar e de enxergar o seu corpo pelo padrão das medidas.

E por fim, não hesite em pedir ajuda! Quando as questões mentais interferem na nossa alimentação é importante buscarmos uma equipe multidisciplinar de profissionais especializados no tratamento desses problemas (nutricionistas, psicólogos e psiquiatras) a fim de buscar sanar o sofrimento relacionado ao peso, ao corpo e à alimentação.

Dica final para refletir o tema da “mente gorda”

Minha dica final é você dar uma olhada no meu curso online Efeito Sophie.

Nele, eu não vou falar sobre as últimas dietas da moda, alimentos milagrosos e fórmulas mágicas de emagrecimento – até porque não acredito em nada disso.

Ao invés, eu vou te ajudar a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida.

A minha missão é fazer com que você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa.

Com algumas dicas práticas, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura.

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Vamos juntos nessa?

Referências:

Se você gostou dessa leitura, provavelmente vai gostar destas aqui que separei para você:

  1. O que é Ortorexia e Vigorexia: qual a diferença e sintomas?
  2. Pare de insistir em dietas restritivas. Elas não funcionam!
  3. Você sabe o que é nutrição comportamental?

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