Carol Rocha – Bancária

Carol Rocha – Bancária

Já cheguei na semana 6 e gostaria de dar o meu depoimento. Primeiro gostaria de agradecer a Sophie por toda a sua pesquisa e dedicação a esse assunto. Obrigada por trazer algo tão libertador. Sei que tenho um longo caminho pela frente pra me transformar em alguém que realmente se ama. Amando a Carol de agora, do passado e do futuro. Do jeitinho que ela é. Aprendi que posso me perdoar pelas coisas que fiz e que não fiz. Que não sou uma pessoa má por não agir algumas vezes como eu queria ou como a sociedade controladora quer. Andei discutindo muito sobre o que eu aprendia nos vídeos e textos com o meu namorado. Uma pessoa maravilhosa que nunca quis me mudar. Mas preocupada com meus ataques de compulsão que me levaram tantas vezes ao hospital. (Ele sempre me faz prometer viver até os 100 anos, pra vivermos muito tempo juntos, já estamos há 8 anos). E sabe, me ensinaram que se eu fosse gorda eu nunca encontraria um parceiro. Que "homem não gosta de mulher gorda". Imagino o que essa ideia faz na cabeça de uma pessoa, de uma criança, sei o que ela fez na minha. Acredito que existam pessoas que realmente são assim, mas não são todas. E me pergunto: quem gostaria de estar com um parceiro que só se preocupasse com seu peso? Como estar bem em um relacionamento com a pressão de: se eu engordar ele/ela vai me largar? Em nossas discussões, não sei o quanto estão certas, mas nos questionamos o que faz uma pessoa conseguir ter resultados duradouros com essas dietas, as vezes altamente restritivas? São muito raras, mas existem. E chegamos a conclusão de que seria (pelo menos parte delas) porque elas estão dispostas a tudo por isso. A perder a saúde se necessário. Até morrer por isso (como é o caso das anorexias). E me perguntei, se eu estava disposta a isso. E sei que nunca estaria. Sempre me importei mais com inteligência do que aparência e amo comer. Amo esse prazer e sei que não estou disposta a tudo para ser magra. Pra mim isso não é o mais importante. Eu não perderia a saúde por causa da aparência, eu não morreria por causa da aparência. E ninguém deveria. Como podemos resumir a vida só a isso? É uma causa que vale quaisquer consequências? Mas somos ensinados que sim. Quantos valores mentirosos nos passam... E pelo que entendi é que pelo caminho da Sophie eu não sei em que peso vou chegar, mas respeitando o meu organismo ele vai se adequar ao que é melhor pra mim. E eu irei me amar e me respeitar do jeito que serei. Cada um com sua beleza. Porque nós somos muito mais do que um corpo...
2018-08-17T16:10:41+00:00